segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Shakespeare Apaixonado


SHAKESPEARE APAIXONADO (Shakespeare in Love, 1998, 123 min)
Produção: Estados Unidos / Reino Unido
Diretor: John Madden
Roteiro: Marc Norman e Tom Stoppard
Elenco: Gwyneth Paltrow, Joseph Fiennes, Judi Dench, Geoffrey Rush, Bem Affleck, Tom Wilkinson, Colin Firth, Imelda Staunton, Jim Carter.

“Shakespeare Apaixonado” (1998), indicado a treze categorias e vencedor de sete Oscar em 1999, é um filme que, de fato, tem seus méritos. De forma leve e divertida, mas com diálogos profundos, o diretor John Madden nos apresenta a criação da peça “Romeu e Julieta” (1597) pelo famoso escritor inglês.

O filme tem um caráter bastante rápido, urgente, como se tudo ao redor não pudesse ser desperdiçado nem por um minuto. Esse sentimento se expressa bem no personagem de Shakespeare (Joseph Fiennes), romântico incorrigível que sente seu dom de escritor escapando entre os dedos e precisa rapidamente recuperá-lo. É nesse contexto que encontra Viola de Lesseps (Gwyneth Paltrow), moça da corte que o faz reencontrar o amor e o encantamento. Ela, por sua vez, inconformada com a submissão feminina ao casamento e a não participação do mundo artístico, se disfarça de homem para encenar a nova peça de Shakespeare. Logo o escritor descobre o disfarce e os dois passam a escrever e a contracenar juntos, levando o espectador a desenvolver certa cumplicidade com o casal proibido.

Dessa forma, a história de Romeu e Julieta fica representada pela impossibilidade dos dois ficarem juntos, já que ela está noiva e ele sabe não passar de um mero artista. Através de diálogos poéticos e tocantes, o espectador é levado a compactuar com o casal e com os jogos de poder que vigoravam na corte elisabetana do século XVI.

O filme como um todo é do tipo que divide opiniões, ora encontrando defensores, ora críticos. Que o filme foi merecedor das categorias técnicas não há dúvida, já que a trilha sonora e o figurino estavam impecáveis (ainda que concorresse com outro filme histórico), entretanto, o Oscar de Melhor filme e o de Melhor Atriz ainda causam polêmica. 


De fato, concorrendo contra “A Vida É Bela” e “O Resgate do Soldado Ryan”, ambos de 1998, fica difícil entender a indicação a Melhor Filme e muito menos a vitória. Apesar de ser um filme tocante e envolvente, com uma temática histórica e muita química entre os atores principais, fica a dúvida do merecimento de um dos maiores títulos cinematográficos mundiais. Outra que tem de conviver com essa dúvida é a atriz principal. Gwyneth sem dúvida foi fabulosa em sua atuação, especialmente pelo sotaque britânico, entretanto, não acredito que tenha superado Fernanda Montenegro em “Central do Brasil” e Cate Blanchett ,que fez um trabalho ligeiramente melhor em “Elizabeth”, ambos também de 1998.

Judi Dench talvez seja a melhor surpresa do longa. Com uma participação de apenas 8 minutos, ela nos mostra uma atuação firme e correta, tornando-a merecedora do prêmio. Assim sendo, em uma avaliação geral, o filme é realmente bom de se assistir, mas acredito que as premiações principais não foram completamente merecidas.

INDICAÇÕES (7 vitórias):
1. Melhor Filme: David Parfitt, Donna Gigliotti, Harvey Weinstein, Edward. Zwick e Marc Norman – venceu
2. Melhor Diretor: John Madden
3. Melhor Atriz: Gwyneth Paltrow – venceu
4. Melhor Ator Coadjuvante: Geoffrey Rush
5. Melhor Atriz Coadjuvante: Judi Dench – venceu
6. Melhor Roteiro Original: Marc Noorman e Tom Stoppard – venceu
7. Melhor Fotografia: Richard Greatrex
8. Melhor Direção de Arte: Martin Childs e Jil Quertier – venceu
9. Melhor Edição: David Gamble
10. Melhor Figurino: Sandy Powell – venceu
11. Melhor Maquiagem: Lisa Westcott e Veronica McAleer
12. Melhor Trilha Sonora Original (Comédia): Stephen Warbeck – venceu
13. Melhor Som: Robin O'Donoghue, Dominic Lester e Peter Glossop

por Renan Prado

5 comentários:

Luís disse...

Demorou para que eu assistisse a esse filme com a cabeça e o coração. Via-o somente pelo seus aspectos técnicos, sem jamais ter me deixado envolver pelas interpretações e pelo carisma do roteiro.

É um filme apaixonante, de singeleza comovente, mesmo não tendo um grand finale choroso. O romance acontece naturalmente e acho que você apresentou isso bem ao comentar o caráter urgente desse relacionamento.

:)

Alan Raspante disse...

Acho um filme agradável, apenas.

J. BRUNO disse...

Eu gosto muito deste filme, tanto que ele faz parte de minha coleção pessoal, no entanto eu não acho que tenha sido merecedor de alguns dos prêmios que recebeu. Ao meu ver quem deveria ter levado o Oscar de Melhor Filme é "Além da Linha Vermelha" e o de Melhor Atriz a Cate Blanchett...

José Francisco disse...

Não gosto. E olha que já tentei gostar.

Dudz Pepe disse...

É aquele caso onde o excesso de premios prejudicou o longa.