segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Perfume de Mulher



PERFUME DE MULHER (Profumo di Donna, 1974, 103 min)
Produção: Itália
Direção: Dino Risi
Roteiro: Ruggero Maccari e Dino Risi
Elenco: Vittorio Gassman, Alessandro Momo, Agostina Belli, Moira Orfei, Franco Ricci.

"Perfume de Mulher" (1974) é, em síntese, um filme tipicamente italiano. Ou melhor: um filme tipicamente italiano da década de 70. Não que seja uma vertente, mas o cinema italiano naquela época era mais saudosista. Em suma, o cinema italiano celebrava a vida como um todo. O ser humano, independente de tudo, era o foco do filme. No meu ponto de vista, claro. Essa declaração é extremamente válida para entender o que "Perfume de Mulher" possa representar nos dias de hoje; liberdade e amor incondicional são dois temas tratados dentro da obra, mas não de forma direta. "Perfume de Mulher", na verdade, é sutil em todos os sentidos, mas é construído de forma única e simples. Algo que, claro, torna o filme inesquecível e até mesmo memorável.

Capitão Fausto (Vittorio Gassman) ficou cego por conta de uma granada. Desde então, tenta viver como pode. A questão é que Fausto se tornou um homem cínico e amargurado, mesmo que tente esconder isso com a sátira que faz da sua própria vida. Precisando viajar para encontrar uns amigos, Fausto acaba solicitando um ajudante para o exército. Sendo assim, o jovem Giovanni (Alessandro Momo) acaba sendo o encarregado a cuidar de Fausto. Nesta viagem, ambos vão se conhecendo e se tornando amigos. Não de forma literal, mas você já deve ter percebido o conceito embutido nesta situação: um cego guiando outro cego. "Perfume de Mulher", neste aspecto, zomba de si mesmo. A direção de Dino Risi é praticamente festiva e acompanhamos momentos aleatórios da viagem, pois, tudo ganha importância dentro da história. O que o filme realmente quer mostrar é que, o pior cego é aquele que não quer ver. Afinal, temos um contraponto interessante já que, Fausto tem a deficiência física, mas o realmente cego da história é o jovem "Ciccio" que nada entende da "vida".

Sendo assim, "Perfume de Mulher" acaba sendo realmente aquilo o que comentei no primeiro parágrafo: uma celebração à vida em si, independente da sua condição humana. Portanto, mesmo que não seja algo de outro mundo, "Perfume de Mulher" se torna uma opção relevante já que consegue desenvolver uma boa reflexão em seu espectador. O filme recebeu as indicações de "Melhor Roteiro Original" e "Melhor Filme de Língua Estrangeira" no Oscar de 1976, mas não saiu como grande vencedor em nenhuma delas, mas ainda sim, é um filme bastante lembrado, sendo que já até ganhou um remake hollywoodiano. O filme ainda tem uma boa qualidade técnica: a direção de Dino Risi é ágil, alegre e até mesmo melancólica e a fotografia exuberante (mesmo já sendo datada). A trilha sonora é agradável e as atuações idem. Aliás, vale destacar que, Vittorio Gassman e Alexandre Momo (que morreu após as filmagens), estão mais que perfeitos como os protagonistas. A química entre ambos é o grande trunfo do filme.

INDICAÇÕES:
1. Melhor Filme em Língua Estrangeira: Itália
2. Melhor Roteiro Adaptado: Ruggero Maccari e Dino Risi

por Alan Raspante

4 comentários:

Hugo disse...

Ainda não tive oportunidade de assistir a este original.

A refilmagem vale pela sensacional interpretação de Pacino.

Abraço

Kamila disse...

Não assisti a este filme original. Somente ao remake, que não gosto muito, apesar de ter dado o Oscar de Melhor Ator ao Al Pacino...

Bruna Damásio disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Bruna Damásio disse...

Eu não gostei da atuação do Al Pacino comparada ao Vittorio Gassman - ele quem ganhou meu coração. E também não achei a "versão hollywoodiana" nada demais.