terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Bette Davis: "Vaidosa" (1944)



VAIDOSA (Mr. Skeffington, 1944, 146 min)
Direção: Vincent Sherman
Roteiro: Julius J. Epstein e Philip G. Epsteins, baseado no romance de Elizabeth von Arnim.
Indicações: 1. Melhor Atriz | 2. Melhor Ator Coadjuvante


Nominadas em 1945: Barbara Stanwyck: Pacto de Sangue || Bette Davis: Vaidosa || Claudette Colbert: Desde Que Partiste || Greer Garson: Mrs. Parkington, a Mulher Inspiração || Ingrid Bergman: À Meia Luz

Realizando pelo cineasta Vincent Sherman, do saudado “Em Nosso Tempo” (1944), em meados da segunda guerra mundial, Vaidosa” (1944), foi um dos primeiros filmes direcionados ao público feminino. Ciente de que boa parte da audiência de cinema daqueles Estados Unidos envolvidos no conflito em terras europeias era de mulheres, a Warner, empresa pela qual a atriz Bette Davis era contratada, resolveu produzir um filme protagonizado por uma mulher. A trama seria romântica, cômica, dramática, meio novelesca, mas descontraída e que exaltasse certas qualidades femininas mais evidentes para a época. Logo, temos Fanny (Bette Davis), uma bela moça, sedutora, mas que antes de “devorar” homens, tem muito mais apreço pelo jogo da sedução.

De família abastada, Fanny se diverte reunindo seus pretendentes na imponente mansão onde mora com o irmão George (Walter Abel). Em seu ambiente nativo, aproveita para manipular aqueles homens ao seu bel prazer, fazendo os exaltar sua beleza, elegância e altivez. Contudo, a prosperidade e tranquilidade de outrora entra em cheque quando se depara falida pelos negócios mal conduzidos pelo irmão. Nesse momento, entra na trama o educado personagem do Sr. Skeffington (Claude Rains), que intitula originalmente o filme. Cavalheiro, empresário bem sucedido, com qual George tem uma suntuosa dívida, acaba apaixonado por Fanny e a moça, para saudar os problemas do irmão, se rende as investidas do homem e aceita se casar com ele.

O matrimônio do casal, apesar do respeito mútuo, nunca se torna pleno, principalmente por Fanny continuar sua jornada de diversão, seduzindo homens da sociedade enquanto deixa a filha do fruto de seu relacionamento com o Sr. Skeffington em segundo plano. Em certo momento, a narrativa se torna redundante, com cenas de teor semelhante e creio que um corte não faria nem um pouco mal para fluidez da história. Contudo, devemos lembrar que estamos falando de uma obra da era clássica do cinema norte-americano, um típico épico hollywoodiano e com uma atriz deveras magnética. Então, talvez, fosse mesmo necessário aproveitar mais tempo de sua beleza em cena, principalmente pela personagem ser um artífice da moda da época, praticando diversas trocas de figurino, maquiagem, cabelo, o que era um inevitável atrativo para o público feminino.

Apesar desse inicio agradável, carismático, cômico, “Vaidosa” ganha contornos mais atrativos e dramáticos quando uma terrível doença deixa Fanny debilitada e desprovida de beleza. Aqui é o momento em que a atriz Bette Davis se despe do caricato da personagem e presenteia o público com uma atuação vigorosa. Desacreditada, amargurada, Fanny torna se uma mulher alienada e o roteiro, assinado pelos irmãos Epstein, guarda as melhores frases e monólogos para essa segunda etapa. No entanto, como os extras do documentário contido no DVD de Vaidosa informam, o diretor Vincent Sherman deixou a atriz livre para improvisar, e como essa também era uma característica conhecida e prezada por Bette Davis, fica evidente que nuances de algumas cenas não estavam no script.

Reconhecida mais pelo notório talento do que pela beleza ou sensualidade aplicada a Fanny, creio que “Vaidosa” seja o momento em que a atriz mais demonstre formosura. Nesse sentido, mesmo por ter uma beleza contida, pequena em relação a outras estrelas da época, o encanto de sua atuação vibrante acaba dimensionando mesmo sua personagem como “a mais bonita da cidade”. Certamente, “Vaidosa” não estará em uma lista dos melhores filmes de Bette Davis, mas ainda assim é uma produção cercada de atrativos e acredito até que de certa forma dialoga com os melhores trabalhos da atriz, entre eles, a obra-prima “O Que Aconteceu com Baby Jane?” (1962).

por Celo Silva

3 comentários:

Kamila disse...

Nunca assisti a esse filme, mas adorei o texto do Celo. Parabéns!!!

Anônimo disse...

Caso queiram aqui tem dvds raros da atriz Bette Davis http://www.revistariaribeiro.com.br/bette+davis_qObette+davisxSM

Gustavo Espeschit disse...

O Oscar de Atriz nessa cerimônia foi para Ingrid Bergman, por seu papel em A Meia-Luz, não?