sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Bette Davis: "Pérfida" (1941)



PÉRFIDA (The Little Foxes, 1941, 116 min)
Direção: William Wyler
Roteiro: Lillian Hellman, baseado na sua própria peça de teatro.
Indicações: 1. Melhor Filme | 2. Melhor Diretor | 3. Melhor Atriz | 4. Melhor Atriz Coadjuvante (Patricia Collinge) | 5. Melhor Atriz Coadjuvante (Teresa Wright) | 6. Melhor Roteiro Adaptado | 7. Melhor Direção de Arte PB | 8. Melhor Edição | 9. Melhor Trilha Sonora


Nominadas em 1942: Barbara Stanwyck: Bola de Fogo || Bette Davis: Pérfida || Greer Garson: Flores do Pó || Joan Fontaine: Suspeita || Olivia de Havilland: A Porta de Ouro.

Até 1941, Bette Davis já havia sido indicada por interpretar uma garçonete vulgar (1935, nominação não oficial), uma ex-atriz alcoólatra (1936), uma jovem sulista mimada (1939), uma jovem arrojada com uma doença terminal (1940) e uma esposa adúltera que impulsivamente matou seu amante (1941). Tanto por “Jezebel” (1938) quanto por “A Carta” (1940), Davis foram indicada por um filme dirigido pelo homem com quem tinha um caso extraconjugal, William Wyler. “Pérfida” (1941) não apenas marca o terceiro e último encontro na tela dos dois como a terceira vez que o diretor a dirige num desempenho nominado e, mais ainda, a primeira vez em que a atriz é nominada por uma personagem em que nota facilmente maturidade.

Depois de interpretar a jovem Julie em 1938, filme de Wyler que lhe rendeu seu segundo prêmio, Bette Davis vive outra vez uma personagem sulista. Regina é a matriarca da família Giddens e definitivamente é uma mulher em quem se notam estratégias milimétricas – cada frase sua está calculada para surtir o efeito que deseja e, assim, conseguir tudo aquilo que quer. Regina é certamente uma das pequenas raposas do título original: ela está ali para se aproximar silente das videiras e tomá-las, quando for hora, para si. Seus dois irmãos – Oscar e Ben – planejam investir muito dinheiro em ações a fim de ver o dinheiro retornar em quantidade consideravelmente maior em relação àquela que investiram; precisam, porém, de um terceiro sócio, propondo, pois, a Regina que convença seu marido a entrar com a terceira parte do capital. Ela não hesita, desde que o negócio lhe seja de algum modo mais proveitoso: em vez de dividir em partes iguais, a quantia que lhe caberá, aceitando o marido entrar na sociedade, corresponderá a 40%.

O filme é certamente acerca de uma mulher ambiciosa e do quanto ela é capaz de fazer para chegar a seus objetivos. Para interpretar uma personagem assim, dificilmente outra atriz seria mais adequada do que Bette Davis, atriz que sem dificuldades dá à personagem o tom sóbrio e altivo de que ela precisa. Basta notar que, apenas levantando a cabeça, fazendo-se olhar de cima para baixo, Bette Davis faz com que nos esqueçamos de sua altura – apenas 1,60m – e acabemos por ver uma mulher extremamente imponente cuja postura não pode ser senão chamada de inabalável. Palavra mais apropriada não há – basta ver a cena na qual os personagens de Bette Davis e Herbert Marshall, com quem já havia atuado em “A Carta”, têm uma discussão e ela, sempre plácida, mas ainda assim feroz, lhe diz a verdade sobre o casamento dos dois e sobre os motivos que a levaram a querer-lhe como marido.

Apesar das intensas discussões nos sets de filmagens, incluindo um momento no qual Bette Davis chegou a noticiar seu desligamento do filme (voltou porque soube que, com sua saída, Miriam Hopkins, sua inimiga, poderia ser contratada), a obra se concluiu como programado, cativou a crítica, atraiu o público e recebeu uma impressionante quantia de 9 indicações ao Oscar, recebendo após a cerimônia a distinção de filme com o maior número de nominações até então a não receber nenhum prêmio. Diferentemente de outros títulos, porém, como “Vitória Amarga” (1939), essa obra não é só dela: o elenco secundário é bastante eficiente, elevando o filme ao patamar no qual está. “Pérfida”, por fim, se marcou como a quarta parte da saga de Bette Davis e as suas indicações consecutivas – indicação essa, aliás, merecida.

por Luís Adriano de Lima

2 comentários:

Adecio Moreira Jr. disse...

Cara, esse foi o segundo filme que vi de Miss Davis (o primeiro foi O Que Terá Acontecido à Baby Jane?) e até hoje guardo a performance dela na memória.

Clássico!

Kamila disse...

"Pérfida" foi o segundo filme da Bette Davis que assisti. O primeiro foi "A Malvada". O que me chama mais a atenção nesse longa de William Wyler é a tour de force que é a atuação de Davis. É um filme excelente, sem dúvida alguma.